DESPOJOS DE GUERRA, Spoils of War (2022) | Série documental. 4x 50′. Portugal. “Despojos de Guerra” visa divulgar e prestar a devida homenagem a todos os que se dedicaram ao esforço de guerra levado a cabo por Portugal nas suas ex-colónias africanas entre 1961 e 1974. Trata-se de uma série baseada em histórias exemplificativas das encruzilhadas com que se viram confrontados milhares de militares e civis durante a guerra e a descolonização. Um dos sinais distintivos do projecto consiste na inédita colorização das imagens a preto e branco dos arquivos. Despojos de Guerra é uma co-produção da Blablabla Media com a SIC, da autoria de Sofia Pinto Coelho e com o apoio à inovação do ICA – Instituto do Cinema e Audiovisual. #despojosdeguerra

EPISÓDIO 1: A informadora | No auge da guerra colonial, Sebastiana e o marido foram os principais informadores da PIDE (polícia política) no Leste de Angola. Avisavam quando os guerrilheiros iam à sua loja abastecer-se de víveres.  Sebastiana revela quantos combatentes foram presos; quantos viu morrer; quantos ajudou; quanto lhes pagavam pelas informações e porque decidiu ser informadora. Depois da descolonização, um deles ajustou contas e mandou prendê-la.

EPISÓDIO 2: Comando Africano | Milhares de africanos combateram ao lado dos portugueses durante a guerra colonial. Com a descolonização, foram deixados à sua sorte. Alguns foram fuzilados pelos novos poderes (os seus filhos e viúvas continuam a reclamar pensões de sangue) e ao perderem a nacionalidade portuguesa, é-lhes negado visto de entrada em Portugal, mesmo para receber tratamentos médicos. Como é possível que não se faça justiça perante estes homens que estiveram na dianteira da guerra colonial e se sentem traídos e abandonados pelo Estado português?

EPISÓDIO 3: Filho de português | No tempo da guerra colonial chamavam-lhes “portugueses suaves”; agora, há quem prefira chamar-lhes “filhos do vento”. Muitos filhos de militares portugueses com mulheres africanas agarram-se a qualquer dado com a esperança de um dia vir a conhecer o pai “tuga”. Quantas crianças mestiças (agora na casa dos 50-60 anos) nasceram destes relacionamentos? Como poderão demonstrar a sua existência perante o Estado português? Como transformar um sentimento de revolta por terem sido abandonados e desconhecer metade da sua identidade, num movimento de ação? Como quebrar este tema envolto em tabu?

EPISÓDIO 4: o militar | O que significará dar a vida pela pátria? Contrariados ou voluntariosos, foi o que fizeram 1 milhão e 300 mil jovens a partir de 1961. Quando os vemos, hoje, envoltos nas suas memórias silenciosas, fugimos da perturbação que isso nos causa.  O que sentirão perante a herança colonial e o racismo que persiste na sociedade contemporânea?

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