A Minha Mãe Nunca Me Ensinou a Cozinhar, de Sofia Pinto Coelho, foi revelado publicamente pela primeira vez nos mais recentes Encontros do Cinema Português da NOS. A longa-metragem, protagonizada pela realizadora, pela sua mãe — a socióloga Maria Filomena Mónica — e pela sua filha — Rita Pinto Coelho —, é uma produção da Blablabla Media, encontra-se em produção e deverá ficar concluída em 2027
Com cerca de 70 minutos estimados, a obra coloca frente a frente três mulheres da mesma família, marcadas por tempos muito diferentes, numa conversa íntima sobre ambição, sucesso, casamento, maternidade, felicidade e envelhecimento. Maria Filomena Mónica cresceu no Portugal da ditadura, Sofia é uma filha da Revolução de Abril e Rita pertence à geração da internet e da nova emigração. Através destes percursos pessoais desenha-se também um retrato das mudanças nos costumes e na condição feminina em Portugal.
O projeto começou a ganhar forma em 2020, quando Sofia Pinto Coelho passou a registar as conversas com a mãe, que enfrentava uma doença oncológica e começava a sentir os efeitos da perda de memória. Rita juntou-se mais tarde a esse diálogo, trazendo o olhar de uma geração mais nova e abrindo a narrativa ao futuro.
Uma “biografia sentimental” sobre memória e envelhecimento, como foi descrita em notícia do Observador, que se constrói também a partir do arquivo privado da família: filmes em 8mm, fotografias, cartas e diários de diferentes épocas cruzam-se com as conversas captadas por Sofia ao longo dos últimos anos.
A Minha Mãe Nunca Me Ensinou a Cozinhar conta com os apoios do ICA — Instituto do Cinema e do Audiovisual e da Sociedade Portuguesa de Autores, com a participação da RTP.
Nos Encontros de Cinema da NOS, a Blablabla Media apresentou também Santo António, o Casamenteiro de Lisboa, de Ruben Alves — a primeira longa-metragem de ficção da produtora, com distribuição da NOS e participação da Disney+, entre outros parceiros, e O Projecto Erasmus, de Filipe Araújo.
A propósito da presença do documentário português no evento, que este ano apresentou mais de 40 novos projetos nacionais de longa-metragem, o crítico José Paiva chamou a atenção para A Minha Mãe Nunca Me Ensinou a Cozinhar e O Projecto Erasmus: “Surpreendeu-me o lado mais musculado dos documentários”, escreveu, considerando que Sofia Pinto Coelho, com “uma história muito pessoal e dedicada”, mostra que “o cinema também é lugar de abraço”, enquanto Filipe Araújo “decidiu discorrer sobre a desilusão e encantamento da União Europeia /Espaço Schengen numa certa geração da qual também faço parte” em O Projecto Erasmus. “Arrisco-me mesmo a dizer: este ano e 2027 podem ser uns muito bons anos nacionais para o género.”
